Quando RuPaul lançou “Supermodel (You Better Work)”, em 1992, pela gravadora Tommy Boy Records, a música capturou o espírito de uma época. A cena underground de Nova York estava em plena efervescência, com drag queens extravagantes e personalidades de boates, como Kevin Aviance e Lady Bunny, ganhando destaque. Ao mesmo tempo, a música house e a cultura ballroom começavam a alcançar o público mainstream.
Mesmo com um estilo considerado exagerado, “Supermodel” se tornou irresistível, impulsionada por uma batida dançante e pelas improvisações marcantes de RuPaul, como o famoso “Sashay, Shantay!”. Produzida por Eric Kupper, que já havia trabalhado com artistas como Whitney Houston e Björk, a faixa foi feita para dominar as pistas de dança — e, por anos, foi presença constante em clubes LGBTQIA+.
Essa influência é evidente em “Runway”, novo single da trilha de O Diabo Veste Prada 2, interpretado por Doechii e Lady Gaga. O ritmo do pré-refrão, em que Doechii convida o público a “dar uma giradinha” antes de soltar um “Yes!”, remete diretamente ao estilo de RuPaul, embora sem a mesma força ou autenticidade das pistas.
Na ponte da música, Lady Gaga faz uma homenagem mais direta ao dizer “Sashay, Ga-gay!”, mas a execução soa forçada e pouco natural. Já o restante da letra mistura expressões da cultura queer de forma considerada confusa, com trechos como: “Você vai queimar a língua com esse chá / Posso chegar atrasada, posso chegar na hora / Só espera, estou chegando, kiki”.
“Runway” também traz referências a “Vogue”, de Madonna, ao incentivar poses típicas das passarelas. No entanto, críticos apontam que a música não acrescenta novidades relevantes ao pop queer nem apresenta uma batida marcante o suficiente para se destacar.
A avaliação geral é que a faixa dificilmente deve ganhar espaço nas pistas de dança mais respeitadas, podendo aparecer mais em ambientes comerciais, como lojas de varejo.
